terça-feira, 9 de março de 2010

Ela não cabe em 1024 caracteres

Penso que ela é distante de si mesma, habita a vida inteira, absorve sentimentos diversos,de todos, decifra olhares e os transformam em literatura, como se resumisse em trechos vidas inteiras. Tem a sensibilidade daqueles que olham para dentro de tudo, sempre. Não se dá bem com os elogios, muda de assunto, foge. Não se contenta com o que faz sentido, busca o impensado, o nunca visto, ou o que sempre esteve ali e ninguém nunca percebeu. Encontra sóis onde a noite é alta, e tem tantas dentro de si que não cabe nela mesma, ao menor sinal explode em uma profusão de sentimentos, de significados que ninguém entende, mas que fazem todo o sentido. Vive a intensidade de cada dia como se fosse o último. É um texto sem vírgulas, sem pausa alguma, simplismente avança pela história porque é dona dela, sem nunca dizer que é, nem o que é. Conquista as pessoas pela porção de cada uma que carrega com ela, e segue guardando em si as melhores e as piores partes de alguém com quem talvez tenha passado horas falando sobre tudo, fumando os melhores e os piores cigarros, sem nunca ter colocado um deles na boca. Muitos pensarão que nada disso faz sentido, que se falou um monte de coisas sem se falar nada, que onde teria de haver gritos fez-se um silêncio insuportável, mas assim é Flávia rosa, sem sentido, sem nexo, sem nada, mas sempre trazendo consigo todas as coisas das quais realmente precisa para merecer um bom banco, uma tarde inteira sem nada para fazer, um amigo, ou muitos deles, para falar sobre tudo, sempre com a certeza de que ainda ficou muito por dizer.

Um comentário:

blablabla disse...

tem coisas que não tem explicação....eu amo Rodrigo e ponto!